E recuperava sua identidade, recuperando a memória — cujas partes são pombas que só no pombal se ajuntam.
E a memória era humanidade.
Sim, atingir o humano é um estágio mais alto […]
O que não perguntei, fiquei sabendo. Requer muitas almas a coragem. Muitas coragens, até atingirem a alma […]
Só o amor dá coragem na travessia.
E o presente tem saudade. O futuro não: descobre-se. A saudade é um rio mais grosso, fundo.
Apenas o que é vivo pode farejar os mortos. E não há consolo, se o deserto está repleto de sol.
É impossível esvaziá-lo: só tirando sol. Como se retira a água de um riacho pelos lados.
O deserto escavava seu rosto e o rosto começava a inventar um nome. Como se transpusesse o rio a nado. E um rio a nado nos atravessa.
Noutra banda, é que se iniciam o tempo e o nome. E ir mudando de natureza, é igual ao que muda de esquecimento. A nado, levado pelo repuxo. De corpo e mente. E de amor.

[Carlos Nejar]