“Os homens perdem em geral a consciência de que existem deuses devoradores da vida humana. Os ídolos são implacáveis em suas exigências de sacrifícios” – Hugo Asmann & Franz Hinkelammert

Quando é que cabe – se é que cabe – a lógica perversa de um lucro maximizado? Sempre há – pelo menos desde há muito… – o desejo de ter sempre mais. A ganância tem um caso antigo com a avareza… Tomás de Aquino, em sua Suma Teológica, chamaria de libido possidendi.

Qual o significado da vida quando o valor de mercado sucumbe a qualquer custo, os afetos, a criatividade, a arte, a ética e a religião?

“Não podeis servir a Deus e a Mamon” – diz Jesus no Evangelho de Mateus, 6.24.

Outro autor do Novo Testamento dirá que “o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males” (I Tm.6.10).

Tertuliano, já nos primeiros séculos de história da igreja, lembra: “sabemos todos que o dinheiro é o autor da injustiça e o senhor do mundo inteiro”.

Papa Francisco, diz que “a crise econômica e o consequente aumento da pobreza têm suas origens em políticas inspiradas por formas de neoliberalismo, que consideram o lucro e as leis do mercado como parâmetros absolutos acima da dignidade das pessoas ou dos povos”.

São os bancos os novos templos de uma espiritualidade do consumo?

Há um rito hedonista que promove um ideal de vida baseado na ganância.

O utilitarismo fora sacralizado! Walter Benjamin acertou!

Clodovis Boff identifica que “comer um lanche no McDonald’s é como comungar um sacramento; andar num Mercedes Bens é voar com os anjos; fumar um cigarro Marlboro é entrar em êxtase”.

E quando os bancos têm lucros exorbitantes e recorrentes, enquanto o desemprego e o conjunto de desigualdades segue afetando os mais pobres?

Jesus ou Mamon?

The Worship of Mammon – by Evelyn de Morgan

 

Pearl Jam – Desqualificado

Ele tem um grande anel de ouro que diz “Jesus Salva”
E está amassado do soco que ele deu no trabalho aquele dia
Quando ele quebrou a gaveta de metal onde ele guardava suas coisas
Depois que o chefão disse “é melhor você não se atrasar”

Oh yeah…
Então essa vida é sacrificada
Oh yeah…
Pulando trens só para sobreviver

Com sua mulher e filhos dormindo, mas ele ainda está acordado
E o seu cérebro carrega a maldição de 30 contas a pagar
Se levanta, acende um cigarro. Ele cresceu pra odiar
Pensando se ele não conseguir dormir, como ele poderá sonhar

Yeah…
Então essa vida é sacrificada
Oh yeah…
Para a realidade de um estrangeiro
Oh yeah
Eu vi a luz
Ohh ohh ohhh… Ohh ohh ohhhh…
Eu tenho medo da vida
Perto da morte
Ohh ohh ohhh… Ohh ohh ohhhh…
Eu vi a luz
Medo da vida

Yeah…
Então essa vida é sacrificada
Oh yeah…
Era um sonho que tinha que morrer
Oh yeah…
Eu vi a luz
Ohh ohh ohhh… Ohh ohh ohhhh..
E eu tenho medo da vida
Perto da morte
Ohh ohh ohhh… Ohh ohh ohhhh..
Eu vi a luz
Medo da vida
Ohh ohh ohhh… Ohh ohh ohhhh..
E eu estou perto da morte
Aqui para morrer
Com medo da vida
Preto da morte
Aqui para morrer.

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Pensando seriamente em repensar teologias do trabalho. Lembrando daquele moço do açougue do bairro, que compartilhou às 20h daquela quarta-feira nublada, que estava no expediente desde às 7h da manhã. Eu, há uma semana sem deixar ouvir a música acima um único dia…