É inegável que ele está entre os autores de maior relevância no século XX, com uma trajetória profundamente ativa, na qual produziu até os últimos momentos de sua vida.

Li Bauman pela primeira vez no início da juventude. Cursava a graduação em Serviço Social e fiquei bastante entusiasmado com o conceito de “Modernidade Líquida”. Já pirava nesses assuntos de modernidade e rapidamente fui atrás outros títulos, como: Amor Líquido, Identidade, Vida para o Consumo, Medo Líquido… Devorei esses textos e só falava disso!

Desde então, acompanho carinhosamente as obras do autor.

Atualmente, estou lendo Babel.

Literalmente, o livro está em cima do tapete da sala entre as almofadas (leia-se, cabeceira da cama). Ainda hoje, passei algumas páginas da obra, em que, sob a forma de diálogo, Zygmunt Bauman e Ezio Mauro tecem preciosas ideias acerca dos impasses do capitalismo globalizado e os riscos cabais do enfraquecimento da democracia.

Sensação estranha de estar lendo um livro e saber do falecimento do autor. É um duplo lamento: a perda da pessoa, querida, pois geralmente gostamos e nos inspiramos em quem lemos; de seu trabalho, que tem tantos frutos no campo da intelectualidade; e, de saber da escassez de pensadores em nossos tempos.

Assim, registro os agradecimentos ao querido Bauman, de contribuições tão significativas em meu aprendizado, reflexões e pensatas. Concluo com uma provocação extremamente necessária, grifada nesta leitura atual:

Essa é a mentalidade dos nossos tempos: é a mentalidade da sociedade de consumidores. O mundo não se manifesta para nós como objeto de nossa responsabilidade. Na verdade, de que tipo poderia ser essa responsabilidade, já que aquilo que fazemos ou deixamos de fazer tem tão pouco efeito, se é que tem, sobre as nossas perspectivas de vida? O mundo se mostra antes como um imenso contêiner de futuros objetos de consumo […] Onde isso vai dar? – preocupam-se as pessoas, como você, com o estado lamentável da democracia e a impotência cada vez mais patente das instituições criadas em seu nome. Preocupam-se com a política reduzida a espetáculo; os cidadãos, a espectadores; o discurso político, a oportunidades para tirar foto; e a batalha de ideias, à competição entre “marqueteiros”?

[Zygmunt Bauman & Ezio Mauro em “Babel: entre a incerteza e a esperança”, 2016, p.33-34]

Valeu Bauman! Descanse em paz!

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