A arte tem seu próprio significado. Uma obra de arte pode ser posta em uma galeria e admirada. Escutamos uma música simplesmente por apreciação. Um tipo de apreciação que não é meramente hedonista; vai muito além disso, apesar de, em alguns casos, nos dar grande prazer. Entretanto, há a possibilidade de um grande número de funções, que resultam desse forte elo da arte com a realidade […]. Já que a arte não precisa de justificativa, ninguém precisa se desculpar por fazer arte. Os artistas não necessitam de justificativa, da mesma forma que os açougueiros, os jardineiros, os motoristas de táxi, os policiais ou as enfermeiras não precisam justificar com argumentos sagazes o porquê de estarem fazendo o seu trabalho. E eles certamente não o fazem como forma de conseguir uma oportunidade para pregar ou testemunhar. Encanadores que fazem grandes discursos evangelísticos, mas deixam a torneira vazando, não estão cumprindo o seu papel. São maus encanadores. Fica claro que eles não amam ao próximo. O significado do trabalho está no amor a Deus e ao próximo.

[Hans Rookmaaker, em “A arte não precisa de justificativa”, 2010, p. 47,48]