O que podemos e devemos fazer no presente, se somos obedientes ao evangelho, se estamos seguindo a Jesus, e se somos habitados, fortalecidos e dirigidos pelo Espírito, é trabalhar em prol do reino. Isso nos leva mais uma vez a 1 Coríntios 15.58: a obra que fazemos no Senhor não é vã. Não se trata de lubrificar as engrenagens de uma máquina que está prestes a cair em um abismo; nem de restaurar uma obra de arte que em breve dará lugar a um prédio. Por estranho que possa parecer, e tão difícil de acreditar quanto a ressurreição, estamos  realizando algo que se tornará, no devido tempo, parte do novo mundo de Deus. Todo ato de amor, gratidão e bondade; toda obra de arte inspirada por Deus e pela beleza de sua criação; cada minuto gasto ensinando uma criança com sérias deficiências a ler ou a caminhar; cada gesto de cuidado e de atenção, de consolo e de apoio a um ser humano (e a criaturas não-humanas, é claro), cada oração, cada ensinamento conduzido pelo Espírito, cada obra que divulga o evangelho, edifica a igreja, abraça e incorpora a santidade, não a corrupção, e torna o nome de Jesus honrado no mundo – tudo isso terá seu lugar, pelo poder da ressurreição de Deus, na nova criação que ele um dia fará. Essa é a lógica da missão de Deus. A recriação divina de seu maravilhoso mundo, que começa com a ressurreição de Jesus e continua misteriosamente à medida que o povo de Deus vive no poder do Cristo ressurreto e do seu Espírito. Significa que o que fazemos em Cristo e por meio do Espírito no presente não será desperdiçado – permanecerá e será aperfeiçoado no mundo de Deus.

[N.T.Wright, em “Surpreendido pela Esperança”, 2009, p. 222]