Lancei-me ao trabalho de uma maneira que nada tinha de cristã e humilde. Uma ambição desmedida, que era notada por muitos, dificultou-me a vida e privou-me do amor e da confiança de meus semelhantes. Sentia-me muito só e abandonado naquele tempo. Era uma situação muito ruim. Mas, então, aconteceu algo que transformou minha vida e lhe deu outro rumo, até hoje. Pela primeira vez cheguei à Bíblia. Também isso é muito ruim de dizer. Já tinha feito muito sermão, já tinha visto, falado e escrito muito da Igreja – mas ainda não tinha me tornado cristão, antes tinha vivido de modo selvagem e indômito como dono de meu próprio nariz. Sei perfeitamente que usei, naquele tempo, a causa de Jesus Cristo para meu próprio proveito, para satisfazer a minha vaidade louca. Peço a Deus que isso nunca mais aconteça. Também jamais rezara, ou muito pouco. Apesar de toda a minha solidão estava bastante contente comigo mesmo. Desse estado me livrou a Bíblia e, especialmente, o Sermão da Montanha. Desde então tudo mudou. Eu percebi isso claramente, e até outras pessoas que me eram próximas o notaram. Foi uma grande libertação. Tomei consciência de que a vida de um ministro de Jesus Cristo deve pertencer à Igreja e, passo a passo, ficou mais claro pra mim que é necessário que seja assim…

[Dietrich Bonhoeffer, em “A resposta às nossas perguntas: Reflexões sobre a Bíblia”]