Pensar sobre Pentecostes em nosso tempo é recordar as bases da plataforma trinitária que sustenta a trajetória do Espírito Santo, começando com a supremacia das Escrituras, passando pela majestade de Cristo e em particular, por meio de sua morte de cruz. Então, para os cristãos, o dia de Pentecostes deve ser tão importante como o Natal, a Sexta-feira da Paixão, a Páscoa e a Ascensão. Tenho caminhado com aqueles que seguem insistindo: devemos acompanhar o calendário litúrgico cristão.

Jesus de Nazaré, o Cristo, nasceu, morreu, ressuscitou, foi exaltado e derramou o Espírito Santo, selando essa trajetória (I Co 1.22, At 2.33). No entanto, o Espírito Santo inaugura de uma vez por todas, o privilégio de estar conosco “para sempre” (Jo 14.16). Logo, o ministério do Espírito Santo é constante e atual…

Estas afirmações possuem um profundo significado teológico. O Cristianismo não é um mito histórico que parou no primeiro século D.C e por “sorte” se proliferou. O Deus dos cristãos não está aprisionado na Bíblia, nem na cruz. É o Espírito Santo que segue inspirando, revelando e refletindo a redenção de Deus através do Cristo e, inclusive, abre nossos olhos para estas notícias tão preciosas que chamamos de “Boa Nova” ou Evangelho.

Pentecostes, para o povo de Israel, era a festa que lembrava o dom da Lei no Monte Sinai, a festa da aliança. Na comunidade dos discípulos de Jesus, o dom do Espírito Santo carimba a nova e permanente aliança. Jesus Cristo não abandonou a sua Igreja! No Pentecostes, é  apresentado aos filhos de Deus a dádiva da partilha, da convivência e comunhão no mesmo Espírito. Semelhante ao próprio Jesus, que foi consagrado no Espírito (Mt 3.17) e tornado apto para sua missão, o mesmo ocorre com a Igreja em Pentecostes (At 10.38).

O Evangelho é o Idioma da Igreja

Desde a era da Torre de Babel (Gn 11.9) até a “Nova Babel” de nossos dias, parece que a natureza humana não superou a confusão das línguas. Nas palavras do poeta-skatista Chorão:

Tanta gente equivocada faz mau uso da palavra. Falam, falam o tempo todo, mas não tem nada a dizer (Charlie Brown Jr.)

A contemporaneidade é sem dúvidas uma NeoBabel. Carregada de discursos incompreendidos. De cartas cheias de conteúdos… vazios! Que não raro, são apenas cartas! Mas sem remetente ou destinatário.

No Pentecostes, o milagre das línguas de fogo, provocado pelo Espírito Santo (At 2.2-5), sinaliza à Igreja a tarefa de trabalhar pela unidade da Palavra. A Igreja não possui uma linguagem própria ou confusa, mas fala o Idioma do Evangelho, na qual anuncia as maravilhas de Deus a partir dos caminhos conduzidos pelo próprio Santo Espírito.

Que Idioma a Igreja tem falado? Pentecostes é data boa pra rememorar!

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