Jesus, sabendo tudo o que lhe ia acontecer, saiu e lhes perguntou: “A quem vocês estão procurando? ”
“A Jesus de Nazaré”, responderam eles. “Sou eu”, disse Jesus. (E Judas, o traidor, estava com eles).
Quando Jesus disse: “Sou eu”, eles recuaram e caíram por terra. Novamente lhes perguntou: “A quem procuram?”
E eles disseram: “A Jesus de Nazaré”.
Respondeu Jesus: “Já lhes disse que sou eu. Se vocês estão me procurando, deixem ir embora estes homens”.

João 18:4-8

Ora, não é de hoje que o beijo tem sido o objeto favorito do traidor para ferir o amor e a misericórdia. Resta saber se estes que se identificam (não seria, escandalizam?), com esta cena, estão mais próximos de Judas Iscariotes ou dos Fariseus. E só!

Jesus sabia o que aconteceria: nos evangelhos sinóticos vemos as predições da paixão, a oração agonizante em Getsemâni e a tranquila insistência de que ele podia chamar legiões de anjos em socorro, caso contrário, nada disso teria sentido. Mas o tema é especialmente forte em João (18.8): Jesus oferece sua vida em obediência a seu Pai, e não como um mártir patético que caiu em desgraça por ventos malignos da consequência de um destino cruel. Com pleno conhecimento do que estava para vir sobre ele, Jesus saiu (do olival cercado, aparentemente) e fez a pergunta que não quer calar… e ecoa tão profundo até os presentes dias…

“A quem vocês estão procurando?”

Isso é muito louco! Porque como sugere D.A. Carson, talvez seja neste momento em que Judas beijou Jesus, mas João não faz registro do detalhe. E por quê?

O comentário do evangelista  (E Judas, o traidor, estava com eles) demonstra que ele não está, dessa forma exonerando o traidor. Considerando a função de Judas ao liberar os oficiais que foram até o jardim prender Jesus (Jo 18.2), parece arbitrário argumentar que o “beijo” seja omitido para diminuir a importância de Judas e sublinhar o controle de Jesus sobre os eventos. Mais provavelmente, o evangelista, ao omitir detalhes, está simplesmente se dirigindo ao centro cristológico: “A quem vocês estão procurando?”

(CARSON, em O comentário de João. 2011, SP, Shedd, p.579)

Eu não assisto novela, mas sendo as redes sociais ambientes polirreceptivos, não custou entender que muito do que escreviam ali, fazia menção de uma cena envolvendo beijo.

Interessante! O beijo foi justamente o símbolo do combinado entre Judas Iscariotes e os oficiais enviados pelos chefes dos sacerdotes e fariseus.

Então, contra uma série de comentários moralistas e preconceituosos que virão a partir desta semana – por meio dos televangelistas famosos e os adoradores do moralismo hipócrita, vou fazer como João. Não quero dar tanto ibope para o “beijo” e prefiro “continuar procurando”, pois busco seguir Jesus, o nazareno. Nele me identifico e encontro gestos suficientes para demonstrar o amor e a misericórdia com todos. Agora, a traição continua… Tem Judas e Fariseus por todo lado.

Deus, não quero ser como estes nem como aqueles…

Beijos!

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