A verdade da Palavra de Deus é sempre contracultural, e a ideia de se tornar um escravo, não é, com certeza, uma exceção. Na verdade, é difícil imaginar um conceito mais desagradável à sensibilidade moderna do que o da escravidão. A sociedade ocidental, em particular, dá um elevado valor à liberdade pessoal e liberdade de escolha. De modo que, apresentar as boas novas em termos de relacionamento escravo/mestre é contrário a tudo que nossa cultura mais preza. Tal abordagem é controversa, confrontadora e politicamente incorreta. Contudo, é precisamente a forma com que a Bíblia fala sobre o que significa seguir a Cristo.

John McArthur[1].

Resisti ao máximo para não ler o livro de John McArthur. Comprei “Escravo” há mais de um ano atrás e o deixara empoeirado aqui, justamente por “considerar” este tema nada interessante. E que tolice a minha…

Penso que citar seus trechos não renderia curtidas no Facebook e ainda assim, poderiam com facilidade levantar polêmicas por seu conteúdo. Na era da Liberdade, Autonomia, Protagonismo e do culto à individualidade quem lá vai pensar em ser Escravo? O mais mesmo legal é “saber” (ou continuar achando) que Deus pode servir de moleta ou lâmpada mágica para a realização de nossos próprios desejos.

Acontece que ao iniciar leituras enquanto estudo a história dos Credos e temas como Cristianismo e Cultura, tive que pegar aquele livro do título pesado (Escravo). Justamente quando tropecei nesta primeira afirmação:

Jesus é o Senhor! (Rm 10.9; I Co 12.3; II Co 4.5; Fp 2.11)

Se cristão é aquele que recebeu Cristo Jesus, o Senhor (Cl 2.6), então, essa declaração é estritamente potente, por unificar declarações que confessam lealdade a Jesus Cristo e compromisso com ele. Logo, reconhecer que Jesus é o Senhor, significa buscar seguir a vontade dele. Quando recusaram-se a prestar culto e adoração ao imperador, os primeiros cristãos imprimiram a convicção de que só é possível servir a um só senhor, e, para o cristão, esse senhor é o próprio Jesus e somente ele[2].

Por outro prisma, D.A Carson acrescenta:

Em boa parte do mundo ocidental, embora o mesmo não ocorra, de modo geral em outros lugares, o cristianismo confessional está em sério declínio. Isso significa que não é possível que o status quo herdado na maioria dos países ocidentais continue sem ser questionado. E, de novo, somos forçados a pensar qual dever ser a relação entre Cristo e Cultura[3].

Inicio essas reflexões por perceber acima de tudo, a necessidade de respostas à altura quando se trata de discernir o que andam dizendo sobre Cristo e Cultura.

Jesus Cristo é o Senhor… mas… de quê mesmo?

Será que ao certo sabemos disso?

Vivemos como se Cristo fosse o Senhor de nossas vidas?

Como cristãos, aonde deve estar nossa identidade?

Cristo para mim ou Cristo em mim?

identidad

“É difícil explicar o cristianismo a alguém de fora se você mesmo nunca refletiu muito sobre ele”. – [Alister McGrath]


[1] John McArthur – Escravo: A Verdade Escondida sobre nossa Identidade em Cristo, p. 49. São José dos Campos – SP, 2012, Editora Fiel.

[2] Alister McGrath – Creio: um estudo sobre as verdades essenciais da fé cristã no Credo Apostólico. São Paulo, 2013, Vida Nova.

[3] D.A. Carson – Cristo & Cultura: uma releitura. São Paulo, 2012, Vida Nova.