Quem nunca errou o alvo? Talvez aquele que nunca tenha mirado. Ainda assim, é possível que tenha apontado.

O que aponta nada entende de alvo. Quem aponta, não considera os acertos.

Apontadores sempre condenam quem falha. Quem aponta, não percebe nada. Quem aponta, não observa. Exceto, se essa observação tiver em seu apontamento a finalidade de apontar.

Quem aponta, só afronta.

Quem aponta sempre limita-se ao campo estético. Pode parecer patético, mas é evidente que o sujeito que aponta, nunca é ético.

Quem aponta não tem foco. Por mais direcionado que pareça. Pois, quem aponta insiste em estar na ponta de tudo.

Não é difícil que o apontador seja semelhante a uma faca cega. Por mais que aponte, não há efeitos em seus apontamentos. E se houver, será do tétano derivado dos dizeres enferrujados. Quem aponta só profere palavras que ferem.

Hoje fui apontado. Quão difícil é esquivar-se de quem aponta. Em tudo ofendem. Nas lâminas de quem aponta, o veneno corrosivo da ferrugem é composto por vaidade, orgulho e arrogância. Então, cheios de si, elaboram carregados discursos vazios…

A soberba sutilmente reside na alma de quem aponta. E sorrateiramente, sequestra o tempo e a capacidade de enxergar com amplitude. Quem aponta vê muito e simultaneamente não enxerga nada.

Aquele que aponta teria clareza em sua intencionalidade? Ou apontaria justamente por falta de horizonte, por estar na escuridão?

Deliberadamente apontado – ou não, quem aponta mais parece um apontador velho que pra nada serve. Nem mesmo pra refinar a ponta de um lápis.

Enquanto era apontado, optei por focar em outras coisas…

Existem diversas prioridades. Tenho tanto que mudar, escrever, apagar e reformular que se quero apontar algo, desejo que seja o lápis – pra continuar escrevendo…

E todas as vezes que errar o alvo, almejo mirar mais alto. Não quero apontar!

E se quebrar a ponta, aponto novamente…

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