Se há uma década escrevia enquanto o refrigerante bebia, hoje, é o chá que faz companhia à escrivaninha. Interessante, muito do que antes era sabor, agora, perdeu o frescor…

Claro que fujo do obscuro desbotamento! Nunca fui apenas preto no branco ou branco no preto. Interpreto, reconheço e esforço-me para considerar quem antes já havia colorido.

Não jogo meus brinquedos com a água (do banho de mangueira) na bacia. Não considero tudo uma garrafa vazia.

Descoberto, o homem em situação de rua pede pão na padaria. Sem cobertor, aproveitou pra roubar o esperto que um espeto de carne comia, enquanto um forró ouvia.

No buteco ao lado, pensando nas dívidas, antes de começar o expediente (de 44 horas semanais), com emoção, o experiente Sr. João, acende um cigarro e pede aquela pinga. Reclama do usuário de crack que tosse na calçada do bar, morrendo à míngua.

Toca o sinal da gráfica. Hora de operar a máquina…

De costura, tecem fios de blusas para serem vendidas na feira da madrugada aquelas pessoas que de graça são contratadas. A promessa é sempre a mesma…

 O veneno da fábula enclausura verdades e as coloca em condição de realidades – por mais que sejam mentiras, muita gente acredita. Pior! Passa a caminhar em torno disso ou daquilo.

Atolados no raso modo de trafegar são presas fáceis do desumano tráfico humano. Difícil esquema de ser decodificado…

A cadeia que prende o coelho, escraviza a lesma, impede o passarinho, enjaula o leão, afoga o peixinho…

A lábia do político corrupto, do mercador da fé, do empresário, do professor universitário tem o mesmo teor da fala patética do idiota que canta a moça imatura (ignorante ou ingênua?), mas que se sente adulta, só porque é formada, tem carteira de habilitação e saí de balada. Depois, chora como criança e com o coração partido, come uma caixa de bombons inteira, enquanto assiste filme hollywoodiano e sonha com o marido.

A hegemonia sensorial faz coisas absurdas:
Democratiza o homem casado porque possui roupas de marca e um carro caro. Coisifica sua família, a esposa e criança pequena que ficaram em casa, enquanto ele (o machão), aproveita a noite num motel, com outra mulher interessada – não nele, mas nos pertences dele.

Assim segue quem só (sobre)vive de sensações…

Já disse preferir a gargalhada desdentada do Gari que come feliz a marmita fria no banco da praça, que o sorriso plástico daquela gerente da agência bancária que encontrei no restaurante.

No inverno, não há mais rosas, tulipas, margaridas, nem mesmo lírios – (minha favorita).

Tenho o solo… e no bolso, algumas sementes…

Reafirmo: não troco sementes por momentos!

Contra o cinza diariamente luto. Repudio toda essa escala acinzentante que narra seus contos.

Dispensa semântica, pois a era é Romântica. Não importa se dói, logo, serás o Herói.

Mas, o que é vencer?
Ter? Possuir? Conquistar? Comprar? Parcelar? Viajar?

Românticas – líquidas – rasas-  agitadas – perplexas – volúveis – sem Raízes – de caráter diluído – obesas de informação – raquíticas de Sabedoria.

É isso que vejo nas pess Folhas Secas!

“São como a palha que o vento leva”, diria um Salmo… [O de número 1].

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Depois que me ‘toquei’ – escutava repetidamente Smashing Pumpkins, a música “My love is winter” (Meu amor é inverno) – [Ouça aqui]