Carro atolado, como um peixe que não consegue nadar. Cinto apertado, como quem sente e não consegue expressar. Quanto mais espaço, maior é o vácuo. Nem toda janela vislumbra horizonte. Nem toda porta abre por fora…

Estilhaços do teto de vidro caem do vigésimo segundo andar e estraçalham as telhas do barraco com paredes de madeira, lá na beira do córrego que corre sem certezas. Não se sabe quando a rua será asfaltada, portanto, quando haverá de existir estrada?

Sem rumo, certamente segue a caminho do túmulo, quem conduz o veículo engarrafado, porém livremente ouve o rádio. Simultaneamente, a mesma música tocava no celular que chamava a atenção de todo o vagão, mas ali pertinho, palpitava o coração de quem lembrava com emoção tudo o que passou como um vulcão. Explodiu! Em erupção, esvai-se cada estação.

Já chegada a sua parada, viu que não era hora de descer. Então, andou de um lado ao outro e parou.

Sentou-se novamente, abriu um livro, mergulhou na imaginação, desatou os nós de pensamentos…

Ao chegar, escapavam-lhe do rosto algumas semínimas de gotas, enquanto curtia aquela canção, antes considerada tola,

Diferente da dona de casa, que cantava preparando o jantar, mas lacrimejava
apenas por descascar cebola.

Santa sensação é sentar-se quando resta contar contos. Subtraem-se as fábulas, restam os sonhos…

Zzz… ImagemDaí o peixe acordou e descobriu que não estava mais sossegado, pois, quando enxergou, viu que estava ilhado em seu próprio aquário. Suas convicções foram por água abaixo…