Ah, as estações do ano… Tangíveis em beleza. Intensivas. Cíclicas…

Não seria a natureza democrática? Gestão estritamente descentralizada. Cada qual anualmente gerencia sua porção de dias, possuindo uma cota para pintar e bordar o cenário do grande globo.  

Se até a natureza parece democrática, seria a humanidade naturalmente democrática?

Conheço alguém que até pagaria para a continuidade desta ideia, mas não hoje. Amanhã é feriado…

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Sucessor do Verão e aquele responsável por preparar o terreno para o inverno, o Outono é a parada da vez. A estação marcada pela queda nas temperaturas, por reduzir a umidade do ar e desbotar as folhas das árvores… Também a realidade de muita gente que ainda vive de verão passado.

O suborno do outono!

Ofereceram propina, simpatias e promessas vazias pedindo o Sol. Dariam tudo pra ficar a toa, sem a companhia da garoa, mas na boa, com o Outono não é assim.

O outono é a estação mais underground de todas. Todavia, erroneamente, pensam que é bipolar apenas porque hora faz Sol e hora faz frio. Ora, agora, escrevo de cachecol e o outono continua sendo outono. Engana-se quem achou que conseguiria barganhar com esta estação tão eficiente em sua plataforma.

Chegaram ao cúmulo do hilário com a proposta de trocar corações gelados por um bocado de raios ultravioletas aquecidos. Esquecidos de que o outono não tem nada que ver com essa asquerosa era glacial da vida humana.

A diferença entre os tons amarelados sobre as folhas das árvores e a febre infectocontagiosa que afeta glóbulos brancos e vermelhos no outono (e no ano todo):

As folhas das árvores se vão. As raízes, não.
O outono passa, mas não deixa ser passado.

Explico a lógica:

Os humanos se acham porque desconsideram seu passado. Em contrapartida, as árvores reconstituem suas folhas porque não perdem suas raízes…

Os humanos desconstroem, desmatam, desrespeitam, descompassam e distanciam-se de suas raízes. Eles desdenham das outras estações. Só vivem de verão.

Quando um fulano com adjetivo de humano verbalizar ao outro que aquele “só vegeta”, convidá-los-ei gentilmente, a refletirem acerca do processo das árvores, das flores, dos vegetais, do outono.

O outono é inconstante, mas tem certeza da chegada do inverno. Sabe a hora de entrar e assumir sua posse na gestão do hemisfério logo após as férias do verão. Tem propriedade em amarelar as folhas no momento certo. Já disse, em outras loucuras postadas que (hoje) admiro a coragem de quem retrocede.

Ademais, as Escrituras Sagradas afirmam que tudo tem seu tempo…

É preciso identificar o tempo da dança. O chão da estação. Buscar quem ainda está no carnaval ou segue refém do drama existente no mito de Perséfone.

E assim, reluzir o brilho do amor nascente diariamente presente na Estrela da manhã.

Pausa pra arrumar as malas para o feriado.

¡Vamos a La playa! Com ou sem temperaturas quentes, Vai raiar o Sol do mesmo modo…