Transições pode ser a palavra lançada pra começar a pensar sobre o que escrevo. Claro que isso me lembra rampas, obstáculos e afins… Também me lembra skate. No entanto, o que quero mesmo registrar (seja por recordação ou esclarecimento), é que se “tudo o que é sólido, se desmancha no ar”, preciso afirmar que:

Tudo o que está diluído, tem necessidade de solidificar

São nos encontros e desencontros, diálogos e debates, leituras e análises, escutas (ativas e involuntárias), onde percebo o montante dos tantos que se acham, quando na realidade, estão perdidos.

Deparo-me com trajetórias a serem percorridas… Ocorre que quando escolho não trilhar por nenhuma destas, eis que surge o Novo…

Se antes, o fato de questionar, de argumentar, de discordar, de tentar fazer diferente, de entender como hipocrisia, parecia uma crise, hoje, compreendo como a afirmação “subversiva” de uma identidade que contrasta nitidamente com o fluxo que segue acorrentando quem se considera livre.

Não desejo essa liberdade:

Em tempos onde autonomia é uma expressão tão banalizada, quero ser escravo! Isso mesmo! A impressão que tenho, é essa “autonomia” transparece uma pretensão equivocada de não precisar de ninguém, sendo o “indivíduo” suficientemente capaz e preparado de enfrentar e resolver tudo sozinho.

Então, quero ser escravo!

É de extrema dificuldade imaginar a ideia de escravidão no pensamento moderno. Talvez, nada soe tão desagradável quanto isso! Impensável numa sociedade em que tanto se almeja a liberdade pessoal e a liberdade de escolha. Desse modo, essa “identidade subversiva” pode ser atribuída por um leque infinito de adjetivos negativos…

Acontece que essa identidade subversiva passou a ser constituída em minha vidas por uma série de desdobramentos:

Pelo fato de inúmeras razões estarem fora do “meu” controle, fui sensibilizado e convencido que por meio do fracasso, do sofrimento e da angústia, possuía fragilidades e limitações, na qual só podiam ser superadas quando me quebrantasse e dependesse dele…

A sacada deste vigésimo sexto ano de vida se encontra em descobrir que na oscilante transição da vida, configurada entre fracassos e realizações, há a condição de se viver pela própria conta e risco, reduzindo a dádiva vitalícia a uma grande cadeia de probabilidades (não é esta “liberdade” que quero). Contudo, ascende o mistério que transcende toda a estética e afeta dimensões onde nem a ética alcança. É sabido que “ser bom”, pagar as contas em dia, ter uma vida moralmente harmoniosa, ou ainda, estar inserido em espaços que busquem melhorias para o bem comum, não é tudo… Para além disso, temos questões latentes que permeiam entre nossas inquietações e buscas mais íntimas. Daí, o farol possibilita a revelação mais sublime do universo:

Deus quer morar em nós!

Pude perceber isso, quando despojei dessa “autonomia”, dessa “autoestima” e destes conceitos que até dão poder para o humano, mas que os desumanizam, os enfraquecem enquanto humanidade, e em último, nos afastam do Criador.

Sendo escravo… Escravo do Amor… Escravo de Cristo… Tenho o dever de amar a Deus acima de todas as coisas, de amar ao próximo como a mim mesmo e, tomar minha cruz dia a dia…

Só relato neste tom, porque foi nesta transição que venho experimentando uma profunda mudança espiritual, emocional, relacional, existencial…

E assim, sigo…

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“Com o coração vibrando de boas palavras recito os meus versos em honra ao rei; seja a minha língua como a pena hábil de um escritor” – [Salmo, 45.1]