Um monte de rochas inclinou-me,

Águas jorravam enquanto envergava o pescoço.

Enxergava belezas de cegar pensamentos,

A altitude desimpedia a escuta que custou-me,

Extrair a riqueza daquele silencioso esboço.

A quietude da ambiência trazia calma à alma.

Inconcebível assistir um DVD de super-heroes,

Quando ao lado há um cenário digno de mais de uma palma.

Impossível desperceber o poder de quem fez o que fez.

Foi o primeiro céu azul que trouxe chuva aos meus olhos.

Por isso escorria do rosto uma cachoeira de gota salgada.

Ouvi de uma árvore verde o quanto preciso amadurecer.

Pois só há flores e frutos onde vive a boa raiz.

O rio que corria pelo caminho de barro dizia-me,

O quão sujo sou. Não por ser cidadão urbano,

Mas por não ser humano. E negar o que levaria-me

A reconhecer que tudo é tão maior do que tenho como plano.

Porém, aquela montanha não deixou que me sentisse pequeno.

Soprava com o vento gelado a seguinte mensagem:

“O Eterno viu que tudo aquilo era bom”. E em tom sereno:

Trouxeste-nos a realidade semelhante a sua imagem.

O wi-fi  do veículo não funcionava, mas de repente:

O céu, o Sol, a montanha, a árvore e o rio

Estavam em plena convicção comigo.

Entendi: aquele que faz todas as coisas não me quer vazio.

E deseja que eu vá além do umbigo.

06.01.13 – Fronteira entre o Chile &Imagem Argentina.