Ultimamente tem sido primazia falar de assuntos que envolvem a palavra chão. Seguramente, percebo a incerteza de pessoas tentando firmar os passos nos tantos impasses postos. Outras, dançam fora do compasso. Ultrapasso expansões territoriais e deparo-me com semelhantes situações…

Não caberia nesta ocasião apresentar a conjuntura desta nação. Tendo em vista que a cegueira espiritual configura uma situação global, (hoje) penso que caracterizar a realidade local, seria algo secundário…

É notável que a população chilena precisa conhecer a mensagem de Jesus. Agora, o que considero impressionante é a maneira que essas pessoas vem aderindo ao que está sendo transmitido. Realmente, nunca se está sozinho quando o verbo “ir” é conjugado. E sobre isso, transcende o vocabulário… Tenho dificuldades de expressar o que estou vivendo integralmente na incompletude destes 10 dias…

O pôr do sol das 20h30 me renderá poemas inspiradores adiante… As nuvens, montanhas, praias e a água gelada do pacífico também. O afeto das crianças, os gestos acolhedores desta gente que me trazem o resgate do sentido de “ser gente”, quando percebo a humanidade presente em tantas de suas ações.

Quiçá fosse universalista, mas não hoje e nem nunca nesta única vida… Há tempos não penso assim. Do contrário, um roteiro turístico faria muito mais sentido do que submeter-se a uma viagem missionária. Ver transformações e ouvir depoimentos, autenticam oficialmente minhas mudanças nos eixos ideológicos… Esquerda significa apenas a mão que escrevo. Direita, a mão que tiro remelas dos olhos todas as manhãs.

Uma longa prosa com um ex-líder do partido comunista chileno afetou-me historicamente. Sobretudo porque ele foi o cristão que me recebeu no aeroporto de Santiago e embarcou-me destino a cidade de La Serena. Diálogos inesquecíveis a respeito da vida, a política, o futebol, a poesia chilena e brasileira e, claro, ablamos sobre o amor. Seu filho, Jose (Pepe), é mentor e pastor de diversos projetos missionários junto com sua esposa Gi e um californiano – Greg, co-pastor da igreja que servem.

Divido o quarto com um cristão chileno, um pentecostal e um seminarista metodista. Talvez seja o parágrafo mais diverso deste texto. Aprofundo isso depois…

Jovens e um centro esportivo. Jovens e quadras. Jovens e o campo de futebol. Jovens e a skatepark. Jovens e drogas. Jovens e armas. Jovens e o tráfico, Jovens e as juventudes… Talvez uma descrição sintética do que seria a dinâmica dos bairros que passamos…

Não concluo, porque ainda não finalizamos aqui. Por vezes, o desejo de começar engrandece e acentua minhas pequenezas. Por vezes, batimentos aceleram e fragilizam minhas certezas. Creio assim como quero o que está para além do meu alcance.

Enquanto isso, vislumbro, desejo, sonho e oro. Conjugo o verbo “ir”…

Caminho…

Pôr do Sol às 20h30 - Chile

Sola Gratia em solo chileno.