Excepcionalmente, experimentei a morte enquanto experienciava o sofrimento embutido naquelas pessoas que velavam o encerramento trágico do ciclo existencial de outro semelhante. Este era humano. Dotado de capacidades altamente desenvolvidas, possuía conhecimentos referentes ao corpo e manifestava referências advindas da alma.

Seria mister pensar que a natureza humana (o homem) está em parte composto de um espírito e de um entendimento? Haveria sentido em questionar concluindo que a providência da alma humana tem um começo e um final?

Observava as fotos desbotadas que continham homenagens aos nomes escritos nas tantas lápides. Lágrimas, lenços de papel, água, café e chá eram palavras constantes no repertório de quem ali estava…

Por quê? Para quê? Quem? Como? Onde?

Recordações impressas nos sentimentos…

A ausência de vida começa quando não há possibilidade de se questionar. Não refletir atrofia. Não pensar sobre o que está pensando aliena, mas quando não há arrependimento – Há morte, a morte…  – Habita.

Nisto, sobram pêsames e condolências… Arranjos e coroas de flores… Surtos e introspecções…

De semelhante modo ao nascimento, a morte é sagrada. Assuntos transcendentes desmontam a conexão com qualquer preocupação de quem está em vida: o mundo parece pausar!

Não importa a política! Desinteressa a classificação do time! A programação do aniversário da Igreja! A festa de sábado…

O sono é sequestrado e a fome parece ter tirado férias. Orações clamando por consolo aos que ficam desamparados…

Como é difícil chorar com os que choram…

Assusta saber que a vida acaba.
Triste é ter o poder de abreviá-la.
Espantoso descobrir que não termina aqui…