Uma folha em branco tem mais conteúdo do que muito livro por aí…

Um papel amassado tem mais machucados do que um lutador ferido naquela barbárie midiática. E ainda insistem chamar de “esporte”.

Um desenho no sulfite pode ter mais sentido que uma tela pintada dotada de valor  – monetário, claro…

Se o formato for retrato:
Recordo imagens, expressões, caras e bocas, penteados, caretas e sorrisos…

Se for paisagem:
Urbana, plana, na praia, no campo, nos museus, no churrasco, na esfiharia…

Magnífico contemplar obras de arte.
Contudo, uma vez pintada, os pincéis nunca mais retornam às telas…

Por isso, no mundo da imaginação – serei pra sempre um lápis!
Posso rascunhar, rasurar os momentos e aprimorar com o tempo…
Talvez, Certamente, não serei artista. Mas ao menos o protagonista…

Como conseguem trocar um lápis e um A4 por uma aparente e estática obra de arte?

Há quem aprenda mais com as próprias estórias do que com a História que ensinam…

Há quem se encontra nos próprios rabiscos e existe quem se perde com os traços de outrem…

Não considere tão corajoso assim justificar subjetividades para decisões objetivas. De tanto contemplar a própria imagem, Narciso definhou-se até a morte…

É confortável apreciar este quadro? É cômodo permanecer no museu? Então, que tudo vire ontem, semelhante ao trabalho primário de educação artística encontrado hoje na gaveta do guarda-roupa…

O presente é a borracha.
O passado:
 é o apontador que afunila o lápis enquanto chora em lágrimas de grafiti…

Amanhã será…

O desenho!

Escrevo dando voz ao que sinto…

Folha em branco