A maior parte dos ativistas, críticos e artistas que tentaram renovar as artes e dar ao mundo uma face mais bela argumentaram de uma ou de outra forma que não era suficiente enfrentar os problemas da arte. Eles compreendiam, de forma mais ou menos clara, que a crise nas artes era a expressão de uma crise mais profunda, de natureza espiritual e que afeta todos os aspectos da sociedade, incluindo a economia, a tecnologia e a moralidade. A qualidade da nossa vida é maculada e palavras como alienação, desespero e solidão – desumanização, em suma – são todas relevantes e têm sido frequentemente usadas.

Não analisaremos todas elas. Certamente, os problemas estão relacionados ao fato de que desde a Idade da Razão nossa cultura tem visto o relacionamento da humanidade com a natureza apenas como forma de dominar a realidade e utilizá-la em nosso favor. Porém, conforme a irônica análise de C.S.Lewis em Abolição do Homem, dominar a natureza e ser capaz de usar suas forças é privilégio para poucos. Portanto, os poucos se tornaram capazes de exercer poder sobre muitos. O resultado é a manipulação e a perda do verdadeiro poder para viver a vida que o indivíduo deseja. Esforços contrários são feitos por toda a parte a fim de mudar as coisas ou tentar vencer os males do sistema. Os marxistas se destacam nesse sentido. Muitos os ouvem, já que eles pelo menos apontam os males. A questão é se o remédio não é pior que a doença. Se a alienação significar apenas que nosso relacionamento com as coisas está rompido, se a dominação da natureza ainda for vista como um objetivo, se os valores materiais ainda forem o alvo primário, e se o problema do pecado continuar a ser evitado, então as questões mais sérias permanecerão.

[Hans Rookmaaker],

Trecho do livro “A arte não precisa de justificativa” – página 21.Viçosa, Mg: editora ultimato, 2010).

Continua…