Em tempos como estes, costumam aconselhar que andemos com o guarda-chuva em nossas malas, bolsas, mochilas…

Carrego o necessário em minha mochila. No entanto, não abro mão dos itens essenciais para o cotidiano urbano. Por vezes, carregá-los aparenta excesso de peso, desleixo ou preguiça. Nunca é tarde porque logo, o agora passará.

Sei o valor das coisas que carrego em minha bagagem. Não é momento de desfazer de nada… Prefiro carregar tudo o que agreguei em minha história. Sei que chegará o momento devido para utilizar cada item. Seja o pente, o desodorante, o livro, a toalha, a caneta, as moedas, o guarda-chuva.

Nesta manhã, caminhava sobre as pequenas poças de água feitas nos buracos da calçada pelas gotas da chuva que, por opção, decidi deixá-las me encharcarem. Em alguns momentos, o único percurso da trilha, encontra-se esburacado, danificado e lesionado. O solo desértico transcende as estações do ano e as manifestações climáticas. Permeia as situações com sua condição árida e despovoada.

Após percorrer boa parte do trajeto com pegadas molhadas e pensamentos secos, não discernia que tipo de água escorria em meu rosto: se aquela insípida, que caí do céu, ou a de gosto salgado, que jorra da fonte de tudo o que é sentido, mas nem sempre, é passível de explicação.

Embora ensopado, segui com minha bagagem, mesmo sabendo que o guarda-chuva estava dentro da mochila. Concordo que há tempo para todas as coisas. Tanto que, a chuva serve para desenvolver, fortalecer e permitir crescer tudo o que fora plantado.

Não se arranca o plantio e nem se joga itens fora da mochila em tempos de chuva…

Por isso, tive sede mesmo molhado…
Só há uma água que sacia… (João 4.14)