Já fui criança. Como chorava quando me deparava com as luzes apagadas. Sempre detestei filmes de terror e coisas assim, mas nada superava meu repúdio pelos interruptores desligados. Na infância, lembrei das “brincadeiras” desagradáveis de alguns dos meus primos que, conhecendo meu medo da escuridão, trancavam-me nos cômodos da casa. Não suportava ter que lutar boxe com as luvas que meu primo ganhara de presente. No entanto, pior que isso era quando se divertiam ofuscando minha alegria…

Disse Deus: “Haja luz”, e houve luz. Deus viu que a luz era boa, e separou a luz das trevas.
Gênesis 1:3-4

Passados alguns anos de minha infância, tornei-me amigo das luzes apagadas (pelo menos pra dormir). Aprendi que a noite era boa: pra ver bons filmes, alguns desenhos e acabei lembrando de ter escrito meu primeiro poema com 12 anos de idade.

No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus, e era Deus.
Ela estava com Deus no princípio.
Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele, nada do que existe teria sido feito.
Nele estava a vida, e esta era a luz dos homens.
A luz brilha nas trevas, e as trevas não a derrotaram.
João 1:1-5

Em meados da minha adolescência, comecei a discernir que lâmpadas apagadas não eram sinônimas de trevas. O medo, a escuridão que aparecia dentro do meu Eu, os primeiros questionamentos e anseios existenciais precisavam de uma luz. De repente, emergiu uma necessidade de respostas, diretrizes e fundamentos, porque nem tudo o que via os outros fazerem, compreendia com clareza. Não queria que fizesse mal aos meus amigos, pois aparentemente, eles demonstravam certo brilho por aproveitarem daquelas sensações, por agirem daquele modo, por experimentarem e serem aceitos, de ousarem, de afrontarem…

Falando novamente ao povo, Jesus disse: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, nunca andará em trevas, mas terá a luz da vida”. João 8:12

Custou-me compreender isso na metamorfose da adolescência para a juventude. Decidi seguir, mesmo sendo o estranho do grupo da escola em que pertencia. Comecei a freqüentar uma igreja próxima de casa, onde por mais de oito meses participei semanalmente dos cultos noturnos. O detalhe: aquela igreja era repleta de jovens, mas durante estes oito meses que ia as terças, quartas, (algumas) sextas e (todos) domingos, somente os idosos e alguns adultos de lá me cumprimentavam.

O grupo que fazia parte me excluía, enquanto o que gostaria de participar nem se quer me notava…

A tua palavra é lâmpada que ilumina os meus passos e luz que clareia o meu caminho.
Salmos 119:105

Foi difícil resistir… Como já era amigo das lâmpadas apagadas e da porta trancada, antes de dormir, desejava amigos novos, ao mesmo tempo em que pedia proteção aos velhos…
Mais importante que novos amigos (após oito meses, viriam a ser), eram o impacto daqueles sermões em minha vida. Aquelas palavras atingiam meu coração, traziam respostas para tantas questões de um adolescente (quantas vezes, os anseios de um adolescente são motivos de desdenha ou vistos sob olhares preconceituosos dos adultos, que afirmam já terem passado por aquilo e superficialmente, sustentam com um “logo”, tudo passará?!)
O desejo ardente de ouvir sobre Jesus foi o firmamento existente que me inseriu no caminho da luz…

Pois não há futuro para o mau, e a lâmpada dos ímpios se apagará.
Provérbios 24:20

Minha trajetória no caminho da Luz não foi linear (acho que de nenhuma pessoa humana é/foi assim). Andar na luz não consiste em flutuar sobre aplausos, plena bonança ou numa felicidade perene. Andar na luz é carregar sua cruz, direcionado pelos ensinamentos de Jesus.

Descobertas solidificaram as conseqüências dos meus erros, da minha ilusão, da falsa sensação de adesão ao real. Não existem apenas luzes apagadas. Na verdade, há também trevas, escuridão. O mal habita nos corações onde a luz não mora!
O pecado (sim o pecado) nos afasta da Luz e gera sofrimento.

Além disso, é sabido que nem todo foco de luz, ilumina. Nem todo o brilho vem da luz.
São claras as investidas das trevas para te ver eternamente apagado.
E estas intenções acontecem…

Isto não é de admirar, pois o próprio Satanás se disfarça de anjo de luz.
2 Coríntios 11:14

Na juventude tenho entendido:

Enchemo-nos de tudo e continuamos vazios…

Eu quero estar na luz
Como você está na luz
Quero brilhar como as estrelas
no céu
Oh Senhor seja minha luz
E seja minha salvação
Porque tudo o que eu quero é estar na luz

O trecho acima é de uma das bandas que mais influenciou minha caminhada cristã, Dc Talk.
In the light, sem dúvidas, é a canção que contribuiu em minha adolescência, juventude (e, agora, fase adulta?) para reafirmar minha decisão de seguir Jesus, buscar a Luz em minhas ações e, sobretudo, agradar a Deus, que é Luz…

Que não haja dúvidas: eu continuo imperfeito, falho, errante e pecador.
Mas Deus é bom e me (nos) permite caminhar em sua Graça, Misericórdia e Amor…

“Os olhos são a candeia do corpo. Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz.
Mas se os seus olhos forem maus, todo o seu corpo será cheio de trevas. Portanto, se a luz que está dentro de você são trevas, que tremendas trevas são! Mateus 6:22-23

Tenho clareza da escuridão dos meus atos, palavras e pensamentos quando meu coração não tem a devida iluminação divina.

Interessante que a luz é o único elemento incapaz de se diluir ou ser contaminada. Onde há luz, não pode haver trevas.

Que Cristo ilumine nossos caminhos, seja a Verdade e conduza sempre nossas vidas.

Veja a tradução em: http://letras.terra.com.br/dc-talk/10122/traducao.html