Algumas pessoas sabem como fico quando saio pra andar de skate. Dizem que meu humor e o vigor são potencializados. Já percebi (e perceberam) isso em alguns momentos. Ah, como preciso de forças nesses dias…

Contudo, minha tentativa de ir a pista foi frustrada. O tempo não estava favorável, mas seguimos mesmo assim. Pena que os portões estavam fechados e com um aviso enorme dizendo que só reabririam a partir do dia 08.01.12. Então, lá paramos desapontados por alguns instantes…

Quando se tranca os portões, resta-nos esperar…

Minhas expectativas eram muitas para aquele passeio. Precisava repor e descarregar sensações. Sentir o vento batendo no rosto. Buscar equilíbrio. Tentar voar…

Por um leve momento, pensei em pular o portão. Se o fizesse, sei que jamais teria o mesmo efeito. Haveria sérias conseqüências. Não curto invadir espaços… Sou apaixonado por desfrutar naturalmente das manifestações…

Fizemos um rápido lanche – que não foi fast food, e no caminho vinha digerindo aquilo: como eu gostaria que estes e aqueles portões estivessem abertos…

Ao me aproximar do portão de casa olhei para minhas chaves e pensei: “por que minhas chaves não abrem os portões que eu tanto desejo? Ah se pudesse, como naquela pista de skate mostrar minhas expectativas…”

A tarde se ia, enquanto algumas gotas ficavam mais ousadas. Aos poucos a garoa se exibia molhando a rua…

Daí pra frente, sentei no sofá e comecei a escrever (digitar)…

Viajava nas idéias, elaborando um poema que se perdeu quando fui atingido por um objeto não identificado até então. Depois, vi a almofada roxa que me parecia uma bigorna. Fiquei vermelho quando descobri quem a tinha lançado…

Nunca imaginei que uma almofadada do meu irmão pesaria tanto em meu coração…

Meu irmão brincando comigo?

Por anos não nos falávamos. Por orgulho, por arrogância, por ego, por erro meu…

Neste Natal tão reflexivo em minha vida, fui sensibilizado (por um amor que não vem de mim) e o abracei, além de pedir para que voltássemos a ficar bem. E assim tem sido há três dias…

Após isto, observei a almofada roxa que me lembrou do advento. Amadurecimento

O perdão foi a chave necessária para abrir os portões de nossos corações. Agora, meu guarda-roupa não tem mais correntes, nem preciso do cadeado…

Para além das minhas sensações na pista de skate, carrego um bocado de outras expectativas que não podem ser vivenciadas lá… Estes portões também se encontram fechados…

E assim, eu sigo lembrando o peso daquela almofada…

“O homem orgulhoso está sempre olhando de cima para baixo, para as coisas e pessoas: e é evidente que enquanto você estiver olhando de cima para baixo não pode ver o que está acima de você”. CS Lewis