Indústria Cultural

“Os seres humanos são maleáveis, corpo e mente, até

mesmo em sua própria estrutura pulsional. Homens e

mulheres podem ser computadorizados,

tansformando-se em robôs, sim – mas eles também

podem se recusar a isso”. 

Herbert Marcuse

É inegável que o tempo é uma das maiores preciosidades que concernem à vida humana. Filósofos, teólogos, poetas, cientistas, entre outros, produziram inúmeras obras a este respeito…

“No curso de toda a história passada – diz Lucien Goldmann – seja por causa da indigência das sociedades primitivas ou pela divisão em classes das sociedades, os homens foram obrigados a consagrar a maior parte de suas atividades a resolver problemas relacionados á produção e à distribuição de riquezas materiais, isto é, os problemas habitualmente chamados de “problemas econômicos”.

 É sabido que através do capitalismo forças industriais e científicas emergiram, de modo que em nenhuma época anterior, na história da humanidade, chegara a suspeitar. Entretanto, suas maneiras de organizar a vida não revolucionaram apenas os mecanismos de produção mas “e com eles, as relações de produção, e com eles todas as relações sociais” – como sustentava Karl Marx. Caminho preocupado com os padrões de sociabilidade e das relações sociais deste tempo.

Contudo, a necessidade histórica – de conhecer suas origens e/ou buscar perspectivas – não é e nunca foi uma força automática (independente) da vontade dos homens. Seja para qualquer finalidade: buscar respostas numa religião, o engajamento e a constituição do sujeito político, etc. Cada indivíduo age perseguindo os seus próprios fins. As ações individuais, na medida em que alcançam repercussão nos processos históricos coletivos, não são puramente casuais, arbitrários, porque partem de desafios concretos, objetivos, colocados pela situação material em que vivem os homens de cada época, de cada povo, de cada classe social.

Quero deixar claro que não sou inimigo das tecnologias (e dizer que também faço uso de redes sociais e diversos meios), mas sinalizo nesta postagem, a importância não apenas para “desfrutar momentos de entretenimento”, sobretudo, identifico serem ferramentas progressivas “nos processos de emburrecimento”.

Percebo um discurso ideológico que impacta culturalmente essa geração objetivando justificar e até mesmo exaltar o modo de vida pelo qual o homem sempre seria o lobo do homem e a disputa entre as pessoas seria o combustível de toda a vontade humana. Sou + Belo, Sou + inteligente, Sou + forte, Sou + Bem sucedido e você, sempre menos. Sinto essa mesma ambiência, nas redes sociais (claro, reflexo de quem conduz aquela conta).

Há algumas semanas atrás, assisti o filme “O Ladrão de Raios” (embora ultra-hollywoodiano) me fez lembrar dos “Lotófagos ou Comedores de Lótus” da mitologia grega.

O projeto do esclarecimento perseguido pelo homem moderno foi motivado pela ânsia de dominação, de subjugação do outro, e não para possibilitar sua emancipação. Para tanto, o indivíduo lançou mão da astúcia, de uma inteligência mal-intencionada que consiste em não resistir ao inimigo para, assim, desvendando incongruências inerentes ao seu próprio poderio,

desmantelá-lo:

O astucioso só sobrevive ao preço de seu próprio sonho, a quem ele faz

as contas, desencantando-se a si mesmo bem como aos poderes

exteriores. (….) A dignidade do herói só é conquistada humilhando a

ânsia de uma felicidade total, universal, indivisa. (HORKHEIMER ADORNO, 1985: 63)

É traiçoeira a maneira como os meios de comunicação constroem a realidade e disseminam informações, além de transmitirem da forma que acontece e afirmarem ser da maneira que se vê. Será?!

Já conheceu alguém bem diferente do que parecia ser no facebook? Os processos são tão rápidos que nem cabe mencionar o Orkut.

Conhece algum acontecimento onde o mundo virtual interferiu no mundo real?

Sou total de acordo com a citação inicial, onde Marcuse diz que podemos nos tornar robôs. Não vejo essa realidade tão distante ou ainda como era dito numa série de heróis que assistia já passada metade da década de 90 (VR Troopers), não estamos tão distantes da “Realidade Virtual”.

Não quero a simbiose de duas dimensões na minha única vida. Se os profiles ao menos tivessem o peso de vida… Mas não têm!!! Portanto, darei bem menos tempo a essas contas… (Tem sido um dos meus cyber-objetivos) rs

Tudo isso veio na cabeça enquanto ouvia a música 21st Century Digital Boy (Garoto Digital do Século XXI) da Banda Bad Religion.