Entendo porque o Renato Russo intitulou uma música de “Angra dos Reis”. Agora sei o que motivava Vinicius de Moraes e tantos outros a escreverem ou comporem belíssimas obras sobre o Rio de Janeiro. Definitivamente, me apaixonei por aquele lugar… Ilha Grande ampliou meus horizontes, mas, o que ainda (en)chamou o coração encontrava-se num local, onde honestamente, não pretendia visitar naquele feriado…

Em pouquíssimos momentos, tenho tido visões de cegar-me os olhos. Isso deve ter ocorrido de duas a três vezes nesta única vida (que eu me lembre). Quatro dias inesquecíveis, sem a presença de carros, prédios, filosofias, teologias, nem discussão de casos ou sobre entraves desta ou àquela política.

Ah, o cenário… Por vezes, me deparava desatento, perdido na imensa maravilha mesclada entre o verde e a água cristalina, pelo Sol, os peixes e as margens de praias naquela ilha. Como não reconhecer soberano o autor de todos estes planos? (arquipélagos, cardumes, humanos)…

No Sábado de Aleluia, decidimos visitar a paróquia. Tamanho o respeito pela celebração que o palco de atrações do feriado, interrompeu as atividades naquela hora. Ora, imagine se pausássemos nossa programação para refletirmos sobre a finalidade da ressurreição?

Acontece que o divisor de águas, não veio das águas cristalinas daquela ilha…

Me afoguei em lágrimas (internas) pela mensagem proferida naquela missa através do Frei que falava com muita ousadia sobre o pão da vida…

Desde o início da liturgia, surfei naquela ambiência que acalorava meu coração. A comunidade cantava e comemorava num só coro, que me contagiava. Verdadeiramente, sentia a presença do Dono daquela ilha, interagindo com aquelas vidas… Especialmente, na minha.

Desde o Sírio Pascal às leituras fornecidas, até o sotaque carioca em harmonia com a sanfona da paróquia, que me motivou a ressignificar o sentido da cruz, que assegura salvação a ilha, mesmo no balanço de muitas águas, como naquelas escunas e barcos.

 No último dia, a neblina trazia o tom de despedida, seguida da chuva atrevida. Lavado em reflexão de renovo, celebrei a páscoa de novo, desta vez, sem ovo.