O Calor superaqueceu o corpo que não apenas transpirava, como também ficara sedento por cenas que incendeiam o desejo de refrescar-se e liquidar a justiça, tanto de líquido gelado ao metabolismo, quanto dos flocos de equidade ainda derretidos…

Ainda no lado de São Caetano, descia na vulcânica temperatura da Estrada das Lágrimas e meu corpo lacrimejava de suor, pois aquele farol vermelho mais parecia chamas de fogo e o vento quente de cada carro que cruzava, trazia-me a impressão que labaredas sopravam aumentando ainda mais a temperatura…

Finalmente, surge o bonequinho verde – comparado a um anjo, me mostrava o alvo caminho da faixa livre de pedestres. Como num oásis, avistei um carrinho de sorvetes. Aproximei-me do sorveteiro e como toda miragem, o carrinho estava vazio…

Fiquei sem saborear o sorvete. Então, degustei um diálogo com o sorveteiro. Já do lado de São Paulo, enquanto subíamos parte da Estrada das Lágrimas, desta vez, quase lacrimejei – não de calor, mas por presenciar a sólida alegria daquele homem radiante que contemplava a venda de todos os sorvetes…

Contava-me também sobre a linha de produção dos sorvetes. Ora, acaso ataca a mais valia, até um radiante sorveteiro? Sim! São como gotas de um vulcão; para não comparar com o que na cultura cristã é figurado como “O lago de fogo que arde a enxofre” ou o “Hades” da mitologia grega, capazes de derreter sonhos em uma simples jornada de trabalho. Neste caso, uma caminhada com o carrinho de sorvetes…

Entendi a importância de solidificar expectativas, antes que os sonhos derretam! Seja por causa do aquecimento global ou até do caldeirão neoliberal – que terceiriza a venda de um Sorveteiro… Sertanejo… Sonhador…

Assim, semelhante aos componentes secundários de um sorvete, tentei uma cobertura de esperança e granulei conceitos, tentando sensibilizá-lo da possibilidade de comprar os próprios sorvetes de uma distribuidora ao invés de comprá-los de uma sorveteria. Esta, só mais uma, das outras vinte e nove, que engordam um único empresário, enquanto os demais derretem seu suor para congelar e concentrar uma única fortuna.

Almejo um dia poder ver a diversidade dos sonhos realizados, assim como as multiformes configurações de um sorvete. De massa – no copinho ou na casquinha. Com variadas coberturas: chocolate, morango, creme; granulados de castanha ou brigadeiro; picolés, gelinhos… O mesmo seja com os sonhos!

O aquecido calor humano transcende todas as situações e estações, sendo essencial para se pensar a vida no verão e em tempos de aquecimento global.

VinníciuSorveteS: De massa, de palito ou gelinhos… Cobertura de quê?! rsrs 20/11/09