Violeiro de beira marPor volta de uns 15 dias já passados, presenciei um fato marcante, semelhante àquelas músicas que uma vez chegadas aos ouvidos, nos trazem uma série de lembranças e lições não aprendidas em cadernos, mas, na partitura da vida!

Num ônibus articulado, permanecia concentrado na leitura dos textos das apostilas em meio à semana de provas. Com meus fones escutava música, estudava e, cochilava ao mesmo tempo.

Acredito que nem eu e todos aqueles passageiros do coletivo não contavam com a surpresa, sem dúvidas inesperada!

De repente, pela porta traseira, sobe um rapaz e saca um violão das costas, assaltando então, nossa atenção. Pois, estávamos impedidos de observar a paisagem, devido à chuva que embaçou todos os vidros – e como de costume estavam todos fechados.

Nomeei este acontecimento como “O show urbano de Brigadeiros”. Além da garoa que granulava a rua, o tocador começou a tocar seu violão na Av. “Brigadeiro” Faria Lima e só parou na Ladeira da Av. “Brigadeiro” Luiz Antônio já em esquina com a Av.
Paulista.

Um repertório para todos os gostos. Músicas com temas românticos, políticos, alegres, eram tocadas em diversos ritmos. Sertanejo, Rock, MPB fizeram parte da reflexão naquela sexta-feira.

Um trabalhador informal, sem carteira assinada, que vendia sua força de trabalho – não de forma braçal, mas, dedilhada nos acordes de seu instrumento. Seu carisma traz seu sustento, seu talento…

Ah, talento!!! Aquele homem que tocava e fazia piadas, arrancava risadas, fica um tanto sem graça, quando se depara com um outro rapaz que segurava um caderno de partituras em uma das mãos…

Era um músico erudito! Daqueles que tocam nos grandes concertos! O tocador, parece desabafar, dizendo que era este um dos seus sonhos…

 – Sabe, também, queria muito saber de música – expressa o tocador!

Enquanto o músico, muito educado, sábio e atencioso, demonstra sua humildade e sola uma linda frase:

– Mas, você também é um músico, seja esta, sua profissão ou não, é perceptível sua vocação!

Em seguida, num breve papo entre tocador e músico, os principais assuntos foram notas, cifras, partituras e melodias…

  E depois de um show ao meio dia, na garoa já fina, em plena Avenida Paulista,  lembrando que eu queria ouvir música, cochilar e estudar para as provas, acabei aprendendo naquele dia uma outra lição…

”Canções devem ser tocadas em todos os cenários. Desde um concerto, até um ônibus articulado. Seja, em partituras, ou até mesmo em cifras, o que vale mesmo é tocar com música o ritmo da vida”. 

 “Dó”, de quem só vive de “Ré”. Pois pra “Mi”, quem “Fá”z  coisa assim, não vê o “SOL”, nem cá, nem “Lá”. Isto serve pra mim, e pra afinar a “Si”.